Resolvi
contar um pouco da minha experiência com a tão temida prova da Ordem dos
Advogados do Brasil.
Como minha
primeira fase seria no mês de maio de 2017 e ainda estava no 9° período da
faculdade, comecei a estudar no mês de janeiro, seguindo uma rotina diária de
estudo até o dia da prova.
Optei por
estudar com afinco Constitucional, Administrativo, Direitos Humanos, Direito
Civil, e Ética. O conteúdo é muito extenso e realmente não dá pra estudar tudo,
nem mesmo fazer um estudo mais aprofundado das matérias.
Claro que o
estudo do conteúdo ajudou muito, mas em nenhuma das questões da minha prova pude
dizer: “Essa é a resposta! Eu li isso”. O que adquiri foi a base para conseguir
responder as questões por eliminação.
Nesse
período de preparação, resolvi 1.384 questões de concursos e provas antigas da
OAB. ( Não entraram na soma as questões respondidas em apostilas, somente as
pelo site, o qual assinei por alguns meses).
Se tem algo
que posso aconselhar pra primeira fase é isso: Refazer provas antigas,
responder todas as questões possíveis. Elas te deixarão alerta para as
possíveis “pegadinhas”.
Os
simulados que realizei durante esse período não me davam a confiança que
precisava. Em alguns alcançava a nota, em outros não e isso acabava comigo.
E sim, fui
estudando o código de ética dentro do carro a caminho da prova, dando uma
olhadinha no material até no último minuto. Bem diferente do que costumamos
ouvir dos mestres, que nos aconselham a " se desligar" pelo menos um
dia antes da prova.
Eu sabia
que aquele tempinho dentro do carro não me agregaria conhecimento algum, mas
tinha certeza de que se não fosse bem, me martirizaria por não ter estudado até
o último minuto.
Quando
terminei minha prova, não tinha certeza de quase nada. Tinha sentido
muita dificuldade, mesmo tendo estudado tanto.
Quem já fez
sabe, quando sai de lá, você mal consegue se lembrar das questões. É um nível
de cansaço tão alto que só se quer sumir dali. E quando pensa que vai
relaxar... Te avisam que saiu o gabarito. E lá vamos nós outra vez para mais
uma maratona de sofrimento. Cada questão errada é uma facada no coração, que
vai se tornando mais branda quando a contagem dos acertos vai passando da casa
dos "30".
Passa dos
30, chega nos 40... Já pode correr pro abraço, mas ainda tem questões pra
corrigir: "Meu Deus!! Que benção." Contabilizei 48 pontos no Exame
XXII e obtive a aprovação na primeira fase da OAB.
A segunda
fase foi beem pior pra mim. Todo mundo diz que é mais fácil e eu dizia
"Faria a primeira fase de novo, mas não faria a segunda".
Nessa fase
optei por Direito Civil, justamente pela experiência que tive nos 2 anos
de estágio na Defensoria Pública e por ser um conteúdo "agradável" de
se estudar ( Pelo menos eu achava)
Nessa fase
não tem jeito, é uma mão na caneta, a outra no código e o olhos no calendário.
Pouquíssimo tempo para estudar tantas peças.
Todos
apostavam que no meu exame, a peça seria uma contestação e eu a estudei
loucamente, acreditando nisso também.
Recebi
minha prova, comecei a ler e vi que não era a contestação. "Meu Deus, e
agora?". Era um agravo de instrumento! Lascou... No tempo de estudo só
tinha feito esse recurso apenas uma vez.
É nessa
hora que o filho chora e mãe não vê. Então a gente começa rezar pra todos os
santos e anjos e os caminhos vão se abrindo, as ideias se ajeitando e quando vê
já foi. A peça tá pronta!
Você até
pensa em respirar mas tem 4 questões te esperando, melhor não arriscar.
Passa o
olho em todas e o desespero toma conta.
O Código
cai no chão, perde os clips que marcavam as páginas, não consegue encontrar
posição confortável na cadeira, a sala tá gelada de mais, não sabe se vai dar
tempo... E quando vê deu!
Saí da
prova como entrei: Chorando! Jurava que não havia passado. O segurança do
prédio onde realizei a prova achou que tivesse sido assaltada. Mas era só uma
das crises de ansiedade, pânico, dor no peito, falta de ar. Coisinhas que
tendem a surgir com a OAB.
Passada a
longa espera pelo resultado, havia chegado o grande dia.
Sai
a lista dos aprovados, faz um Ctrl F, digita seu nome e está lá. Primeiro se
pergunta se pode confiar no resultado, se há possibilidade de existir outra
"Bruna Bausen". Depois solta foguete, paga as promessas, queima a
caixa de calmante e chora muuuuito!!
Se
tenho um conselho para dar é que REFAÇAM questões antigas. É fundamental!
Não
adianta procurar na internet uma fórmula mirabolante, o negócio é se desligar
das redes sociais, das saidinhas com amigos e estudar.
Aos
que estão se preparando para os próximos exames, peço que não desistam, nem se
deixem desanimar. O período pré aprovação é doloroso, mas a vitória é certa.
Podem acreditar!