quinta-feira, 14 de junho de 2018

A temida Prova da Ordem


Resolvi contar um pouco da minha experiência com a tão temida prova da Ordem dos Advogados do Brasil. 

Como minha primeira fase seria no mês de maio de 2017 e ainda estava no 9° período da faculdade, comecei a estudar no mês de janeiro, seguindo uma rotina diária de estudo até o dia da prova. 

Optei por estudar com afinco Constitucional, Administrativo, Direitos Humanos, Direito Civil, e Ética. O conteúdo é muito extenso e realmente não dá pra estudar tudo, nem mesmo fazer um estudo mais aprofundado das matérias. 

Claro que o estudo do conteúdo ajudou muito, mas em nenhuma das questões da minha prova pude dizer: “Essa é a resposta! Eu li isso”. O que adquiri foi a base para conseguir responder as questões por eliminação.

Nesse período de preparação, resolvi 1.384 questões de concursos e provas antigas da OAB. ( Não entraram na soma as questões respondidas em apostilas, somente as pelo site, o qual assinei por alguns meses).

Se tem algo que posso aconselhar pra primeira fase é isso:  Refazer provas antigas, responder todas as questões possíveis. Elas te deixarão alerta para as possíveis “pegadinhas”.

Os simulados que realizei durante esse período não me davam a confiança que precisava. Em alguns alcançava a nota, em outros não e isso acabava comigo.

E sim, fui estudando o código de ética dentro do carro a caminho da prova, dando uma olhadinha no material até no último minuto. Bem diferente do que costumamos ouvir dos mestres, que nos aconselham a " se desligar" pelo menos um dia antes da prova. 

Eu sabia que aquele tempinho dentro do carro não me agregaria conhecimento algum, mas tinha certeza de que se não fosse bem, me martirizaria por não ter estudado até o último minuto.

Quando terminei minha prova,  não tinha certeza de quase nada. Tinha sentido muita dificuldade, mesmo tendo estudado tanto. 

Quem já fez sabe, quando sai de lá, você mal consegue se lembrar das questões. É um nível de cansaço tão alto que só se quer sumir dali. E quando pensa que vai relaxar... Te avisam que saiu o gabarito. E lá vamos nós outra vez para mais uma maratona de sofrimento. Cada questão errada é uma facada no coração, que vai se tornando mais branda quando a contagem dos acertos vai passando da casa dos "30". 

Passa dos 30, chega nos 40... Já pode correr pro abraço, mas ainda tem questões pra corrigir: "Meu Deus!! Que benção." Contabilizei 48 pontos no Exame XXII e obtive a aprovação na primeira fase da OAB. 

A segunda fase foi beem pior pra mim. Todo mundo diz que é mais fácil e eu dizia "Faria a primeira fase de novo, mas não faria a segunda". 

Nessa fase optei por Direito Civil, justamente pela  experiência que tive nos 2 anos de estágio na Defensoria Pública e por ser um conteúdo "agradável" de se estudar ( Pelo menos eu achava)

Nessa fase não tem jeito, é uma mão na caneta, a outra no código e o olhos no calendário. Pouquíssimo tempo para estudar tantas peças.

Todos apostavam que no meu exame, a peça seria uma contestação e eu a estudei loucamente, acreditando nisso também. 

Recebi minha prova, comecei a ler e vi que não era a contestação. "Meu Deus, e agora?". Era um agravo de instrumento! Lascou... No tempo de estudo só tinha feito esse recurso apenas uma vez. 

É nessa hora que o filho chora e mãe não vê. Então a gente começa rezar pra todos os santos e anjos e os caminhos vão se abrindo, as ideias se ajeitando e quando vê já foi. A peça tá pronta! 

Você até pensa em respirar mas tem 4 questões te esperando, melhor não arriscar. 

Passa o olho em todas e o desespero toma conta. 
O Código cai no chão, perde os clips que marcavam as páginas, não consegue encontrar posição confortável na cadeira, a sala tá gelada de mais, não sabe se vai dar tempo... E quando vê deu! 

Saí da prova como entrei: Chorando! Jurava que não havia passado. O segurança do prédio onde realizei a prova achou que tivesse sido assaltada. Mas era só uma das crises de ansiedade, pânico, dor no peito, falta de ar. Coisinhas que tendem a surgir com a OAB.

Passada a longa espera pelo resultado, havia chegado o grande dia.

Sai a lista dos aprovados, faz um Ctrl F, digita seu nome e está lá. Primeiro se pergunta se pode confiar no resultado, se há possibilidade de existir outra "Bruna Bausen". Depois solta foguete, paga as promessas, queima a caixa de calmante e chora muuuuito!!

Se tenho um conselho para dar é que REFAÇAM questões antigas. É fundamental! 

Não adianta procurar na internet uma fórmula mirabolante, o negócio é se desligar das redes sociais, das saidinhas com amigos e estudar. 

Aos que estão se preparando para os próximos exames, peço que não desistam, nem se deixem desanimar. O período pré aprovação é doloroso, mas a vitória é certa. Podem acreditar!


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